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Desserviço público

Pescoço, esse vilão

9 jun 2008

Revista faz um importante alerta a respeito de um lado sombrio de nossos queridos pescocinhos: o vingativo!

Quando a gente pensa que já leu todo tipo de barbaridade em revistas femininas, surge algo ainda mais desconcertante. Desta vez, a pérola veio do site de uma famosa publicação dirigida a mulheres.

Pescoço: cuide bem, pois um dia ele se vinga
Ele não revela a idade… aumenta! Por isso reunimos aparelhos de última geração e tratamentos consagrados que vão ajudá-la a tirar manchas, rugas, flacidez e até a papada do pescoço.

Então quer dizer que pescoço agora se vinga? Claro que sim! Porque o corpo, esse terrível inimigo, não quer saber de obedecer as nossas vontades. Teima em aparecer por aí com manchas, rugas e pelancas e se nega a ser nossa massinha de modelar.

Sorte que podemos contar com as dicas preciosas de uma revista que zela pelo nosso bem-estar. Graças a ela, sabemos que é possível furar nossos pescoços com injeções de gás carbônico. Podemos ainda injetar doses de Botox, a toxina botulínica que causa envenenamento alimentar.

Outra opção citada na reportagem é um troço suuuper do bem, que provoca queimaduras que, felizmente, saram depois de cinco dias de sofrimento. Tem também uma misturinha básica de ácido poli-L-láctico com água destilada que só provoca inchaço, dor e vermelhidão na pele por uma semana, uma bobagem!

O corpo, esse vilão implacável, bem que tenta se vingar, mas a gente é mais esperta. Antes que ele se manifeste, a gente gasta os tubos para queimar a pele e injetar substâncias estranhas em nossos organismos.

Encarar as próprias rugas é uma dureza. Em seu livro “A Velhice”, lançado em 1970, a filósofa francesa Simone de Beauvoir escreveu que ”a velhice é um destino e quando ela se apodera da nossa própria vida, deixa-nos estupefatos”. Mas a situação fica ainda mais dolorosa quando enxergamos nosso corpo como um estranho ou pior, como um inimigo. 

Faz tempo que o encaramos como uma montanha de massa. Calçamos o coitado com um salto agulha e o levamos para passear. Apertamos sua cintura, injetamos substâncias “milagrosas” e o obrigamos a encarar uma agenda louca de compromissos.

E se ele reclamar? Bom, primeiro o dopamos com analgésicos. Depois, o responsabilizamos por todas as nossas “desgraças”, seja porque o braço está flácido ou porque o joelho está dizendo que não agüenta mais. Porque a culpa é sempre dele. Do nosso corpo, esse desconhecido.

1 comentário »

  1. Acho que as mulheres estão indo longe demais na tentativa inútil de apagar as rugas. Eu me nego a entrar na faca ou fazer loucuras só para parecer alguns anos mais jovem.
    E tem outra: ainda não inventaram plástica para mudar a voz. Quem tem mais de 50 não atende o telefone com voz de moça…

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