Consumo inconsciente
Intestino preso: uma mina de ouro
Publicidade capricha em comerciais para público feminino que incentivam o uso constante de laxantes
“Era uma vez uma mulher que só comia cereais e fibras. Bebia água o tempo todo. Praticava exercícios todos os dias e nunca teve prisão de ventre.
Aí…bom, aí ela acordou!”
Este é um trecho do comercial de um famoso medicamento para pessoas que sofrem com prisão de ventre. Enquanto o texto acima é lido por uma voz feminina, são exibidas imagens de uma mulher afoita por manter o intestino funcionando com regularidade. Primeiro ela aparece comendo muitos pratos de cereais. Depois, bebendo litros e litros de água. Em seguida, surge esbaforida sobre uma bicicleta ergométrica.
Pelo comercial, parece que é impossível manter o bom funcionamento intestinal sem a intervenção de medicamentos. É como se ninguém tivesse poder de decisão e comesse o que viesse pela frente. Como se a atribulada vida que levamos tivesse eliminado para sempre o bom senso e nos tornado reféns de um remédio.
Querem saber? Talvez seja verdade! Neste mundo de fórmulas prontas e pouca reflexão, muitas mulheres apelam para pílulas mágicas para tudo, até para suas necessidades fisiológicas. Buscam na farmácia uma maneira de melhorar o humor e depositam, em cada cápsula, a esperança de ficar esbelta.
Não por acaso, muitos anúncios de laxantes estão em revistas sobre dietas e emagrecimento. Sempre são direcionados a mulheres que, em vez de induzirem o vômito, apostam em soluções instantâneas para soltar o intestino. Mas sobre esse tipo de transtorno, pouca gente fala. Só nos resta saber se esse silêncio ocorre por desconhecimento geral ou se é porque o uso constante de laxantes é uma grande mina de ouro.
