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Segura esse homem, menina!

17 mar 2008

Mesmo com a aparente liberdade feminina, ter um companheiro continua sendo sinal de status. E ai de quem estiver solteira…

Quantas vezes você já ouviu que “homem está em falta”? Talvez dezenas, centenas de vezes. É como se uma enorme crise econômica, uma epidemia, um mal tivesse acometido a sociedade, deixando milhares de pobrezinhas largadas à própria sorte.

Para a maioria das pessoas, uma mulher feliz ainda é aquela que tem um companheiro ao lado. Não importa se ele for um chato, um bobo ou um doido varrido. Contanto que a criatura tenha cromossomos XY, está tudo certo.

Exagero? Então pense naquela sua amiga que está solteira e responda com sinceridade: você nunca pensou em apresentar algum conhecido para ela? Provavelmente sim. Sabemos que não foi por mal, claro. É que você queria o bem dela. E o bem continua a ser a sorte grande de conseguir um homem para o resto de nossas vidas.

Muitas diriam: ah, mas os homens também são cobrados para arranjarem uma companheira. Sim, isto acontece, mas a cobrança não é, nem de longe, tão pesada quanto a exercida sobre as mulheres. Ou alguém já ouviu falar que fulano ficou para titio? Fosse assim, noivos atirariam suas gravata para convidados afoitos por casar.

A cobrança é, sem dúvida, maior sobre as mulheres porque nos portamos como coadjuvantes, ou, como diz Simone de Beauvoir em “O Segundo Sexo” como a figura do “Outro”. No livro, ela chega a comparar o convívio entre homem e mulher à relação entre senhor e escravo. E diz:

“É que na relação do senhor com o escravo, o primeiro não põe a necessidade que tem do outro, ele detém o poder de satisfazer essa necessidade e não a mediatiza; ao contrário, o escravo, na dependência, esperança ou medo, interioriza a necessidade que tem do senhor; a urgência da necessidade, ainda que igual em ambos, sempre favorece o opressor contra o oprimido (…)”

Parece forte essa comparação, mas vale a pena refletir essa “dependência, esperança ou medo” que ela menciona. Talvez isto explique a mobilização de milhares de mulheres pelo fim da solteirice. Pode ser que isso justifique o porquê de todo mundo achar engraçadinho ver solteiras se estapeando por um buquê num casamento ou moças fazendo simpatias para casar.

Pode ser que alguém esteja dizendo “ah, mas é assim mesmo”. É verdade. E vai continuar desse jeito enquanto acharmos que o nosso poder está nas mãos do outro, não nas nossas. Repetindo pérolas como “segura esse homem” e “homem está em falta”, continuaremos presas a um único modelo de felicidade. Porque, ao que parece, só é feliz quem está com alguém. E isso, nós sabemos, não passa de papo furado.

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