Consumo inconsciente
Qualidade de vida para quem?
Fitness Center, Espaço Zen, Lounge Gourmet, Casa do Tarzan. A lista de opções de lazer dentro de um condomínio residencial, além de interminável, está se tornando incompreensível. Não dá para saber ao certo qual é a utilidade de cada um desses espaços, muito menos o custo para mantê-los. E não é só de dinheiro que estamos falando. A questão também é o impacto ambiental de cada um desses mimos.
O mais estranho dessa nova tendência do mercado de construção civil é o lema utilizado. Qualquer folheto entregue em cruzamentos das cidades sempre traz a expressão “Qualidade de Vida”. E para vender essa idéia, não há limites. Montanhas de papel vão parar em calçadas e bocas de lobo e milhares de desempregados são explorados, em condições precárias de trabalho, para entregar anúncios a motoristas.
Em nome da propalada “Qualidade de Vida” dos panfletos, a lei também é desrespeitada. Placas e faixas que seriam consideradas irregulares dão lugar a “letreiros humanos”. Assim, propagandas proibidas ficam disfarçadas de pessoas segurando anúncios.
Explorar trabalhadores, burlar leis, sujar as ruas, estimular o desperdício e ainda ter a cara de pau de vender “Qualidade de Vida” em folhetos parece piada. E de muito mau gosto.
